Convento dos Capuchos

Igreja


«frontaria principal virada a poente e de grande interesse artístico», pois trata-se de «um dos exemplares mais interessantes da aplicação de estuques moldados em exteriores que existe em Portugal», só encontrando paralelos com monumentos situados nos antigos territórios portugueses da Índia; a frontaria está em risco de desabamento; «no vão central, um arco de volta inteira com as pedras rusticadas, e nos laterais remates rectos, apoiados em duas colunas, ao centro, e em duas meias-colunas, nas extremidades»; para além do nártex, «a igreja, resultante da reconstrução de 1639, tem apenas uma nave alongada, vazia, coberta por abóbada de berço de alvenaria estucada, compartimentada por arcos torais assentes numa cornija maneirista simples. (…) O arco triunfal mantém os pilares de cantaria até meia altura e o resto da estrutura, de tijolo, está despido. A capela-mor, quadrada, está igualmente vazia.» Adjacente à capela-mor, virada a nascente, situa-se o que se julga ser o recinto da sacristia, «de secção rectangular, com cobertura de abóbada de berço abatida» e «iluminada por duas janelas»;

Dependências monacais


Ao lado da igreja, na direcção sul, situa-se o edifício conventual; «todo o andar inferior é formado por muros grossos e por abóbadas de berço de robusta alvenaria».

No centro do espaço conventual situa-se o claustro, que possui uma estrutura semelhante à de outros conventos capuchos, «com janelas no andar superior e as aberturas do inferior rematadas por lintel de pedra recto, em vez de arcadas, apoiado nos ábacos de quatro pilares de secção quadrada, nos cantos, e de duas colunas, muito toscas, em cada face.»

Junto do claustro situa-se uma dependência relativamente vasta, que se julga ter sido a sala do Capítulo.

«Próximo da portaria encontra-se outra dependência de construção cuidada, que deveria ter sido o refeitório, refeito em 1712». Como nos restantes espaços, «encontra-se coberto por abóbada de berço abatido, de alvenaria».

Vítor SERRÃO e José MECO, Palmela histórico-artística: um inventário do património artístico concelhio, Lisboa/Palmela, Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela, 2007,
p. 277-304.